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dislexia

by armando costa (2018-02-28)

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A DISLEXIA. RECUPERAÇÃO DOS PROBLEMAS DE LEITURA-ESCRITA

 

Etimologicamente a palavra dislexia quer dizer, aproximadamente, dificuldades de linguagem. Na acepção atual refere-se aos problemas de leitura, distúrbios na aquisição da leitura.

 

Uma primeira definição simples de dislexia é a que nos diz que é o problema para aprender a ler e que apresentam crianças cujo coeficiente intelectual é normal e não aparecem outros problemas físicos ou psicológicos que possam explicar as referidas dificuldades.

 

Segundo algumas estatísticas, a dislexia afeta em maior ou menor grau, para 10% ou 15% da população escolar e adulta.

Afeta, em igual medida para meninos e meninas, no entanto, na minha prática, tenho visto muitos mais meninos do que meninas e estatísticas inglesas falam de uma relação de 8 para 1 entre o número de meninos e o de meninas afetados.

Isso talvez tenha a ver com o fato de que se considera que as mulheres em geral têm um maior desenvolvimento na área da linguagem que os homens.

Há consenso em que um 4 e um 5% das crianças apresentam problemas graves de aprendizagem da leitura, com a consequente dificuldade escritora.

 

Dada a generalização do ensino a toda a população de forma obrigatória e o uso prioritário da leitura e da escrita como mediadores do processo de ensino, a quantidade de crianças que apresentam dificuldades escolares e, por essa razão, é um fator importante a ter em conta pelo tornou-se professor.

 Segundo as estatísticas citadas acima se pode esperar que, em cada sala de aula 25 alunos tenham, pelo menos, uma criança com esta dificuldade de aprendizagem.

 

 

Uma boa definição é dada M. Thomson " é uma grave dificuldade com a forma escrita da linguagem, que é independente de qualquer causa intelectual, cultural e emocional. Caracteriza-Se porque as aquisições do indivíduo no domínio da leitura, da escrita e soletração, estão muito abaixo do nível esperado em função de sua inteligência e de sua idade cronológica.

 É um problema de índole cognitiva que afeta as habilidades linguísticas associadas com a modalidade escrita, particularmente a passagem da modalidade escrita, particularmente a etapa da codificação visual à verbal, a memória a curto prazo, a percepção de ordem e a sequenciarão.

 

Existe uma certa confusão no uso do "nome" aplicados à dislexia. Tais os qualificativos de "madurativa", "evolutiva;" "adquirida".

 

Na prática fala-se de dislexia evolutiva quando aparecem dificuldades e sintomas parecidos ou iguais aos disléxicos em crianças que iniciam a sua aprendizagem, mas rapidamente esses sintomas desaparecem por si sós, durante o aprendizado.

 Os sintomas a que me refiro são investimentos na escrita e / ou leitura, adições, omissões, escrita em espelho, hesitações, repetições...

Dislexia tem cura

Se, no entanto, um texto sobre dislexia, dá o qualificativo de dislexia madurativa às dificuldades de aprendizagem de leitura e de escrita que ocorrem em crianças com deficiências intelectuais.

Considero que é inadequada a utilização deste termo neste caso, pois, por definição, a dislexia exclui a deficiência mental.

Outra coisa é que as crianças com atraso apresentam sintomas semelhantes e, às vezes, o tipo de material e programas são semelhantes, mas a diferença de capacidade intelectual é fundamental para a abordagem.

 

Há autores e profissionais que utilizam o termo "evolução ", no mesmo sentido em que eu expliquei a primeira acepção de dislexia "madurativa".

No entanto, em alguns textos dá-se esta denominação para a dislexia e a que nós vamos referir-se ao longo do curso, de aparecimento das primeiras fases do aprendizado, para distingui-la de dislexia adquirida, que ocorre como resultado de algum trauma craniano, que afeta a área da linguagem no cérebro.

 

Em minha prática, me refiro a dislexia só quando se cumpre a definição simples do começo: criança que não aprende a ler, com inteligência normal e nenhum outro problema que explique a dificuldade.

Saiba mais o que e dislexia

 

Tenho que dizer que me encontro com profissionais relutam em dar este diagnóstico e preferem falar de imaturidade, o que de alguma forma seria a dislexia "evolutiva" ou "madurativa", ou, simplesmente, a falta de maturidade para assimilar os aprendizados, dada a variabilidade individual e a distribuição normal da população escolar de acordo com a chamada "curva do sino".

No entanto, considero que, com este diagnóstico se perde um tempo precioso para a intervenção com estas crianças e o tratamento adequado para o seu problema, prevenindo o surgimento do mal autoconceito que se chega a gerar as dificuldades que encontra no aprendizado.

 

Sendo a dislexia, em princípio, um problema de aprendizagem, acaba por criar uma personalidade característica que em sala de aula se faz notar, ou pela inibição e o retraimento ou pelo aparecimento de condutas destrutivas, falar, brigar, não trabalhar,.. Como formas de obter o reconhecimento que não pode alcançar por seus resultados escolares.

 

A dislexia vai unida, às vezes, outros problemas de aprendizagem escolar, tais como a disgrafia (dificuldades no traçado correto das letras, no paralelismo das linhas, o tamanho das letras, a pressão da escrita...) e em fases posteriores aparece a disgrafia (dificuldade para o uso correto das regras de ortografia, desde as que se chamam de ortografia natural para as de nível mais complexo.)

 

Ocasiões em que a dislexia está ligada a dificuldades de pronúncia, com maior incidência na dificuldade de pronúncia de palavras novas, longas ou que contenham combinações de letras do tipo das que lhe causam dificuldades na leitura.

 



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